Eleitores admitem compra de votos nas eleições de São Luís
Pesquisa revela que ludovicenses receberam oferta de candidatos na capital
De cada 10 eleitores de São Luís, dois acham que mandato eleitoral se conquista é com dinheiro e quase 14% souberam de ofertas financeiras pelo voto para prefeito, no segundo turno. É o que revela pesquisa Escutec/O Estado do Maranhão que ouviu 648 pessoas nos mais importantes pontos de fluxo de São Luís, entre terça a quinta-feira da semana passada. O objetivo da consulta era dimensionar os efeitos, nas eleições deste ano, da denunciada prática de corrupção eleitoral, que teria consumido mais de R$ 1 bilhão no pleito de 2006.
Apenas 53,7% dos eleitores ludovicenses ainda acreditem que voto se ganha com idéias e propostas. Os demais afirmaram que prevalece a força do dinheiro e da influência das lideranças.
A Escutec fez perguntas sobre as eleições municipais deste ano. Pelo menos 12% dos eleitores da capital, o correspondente a 79.430 portadores de títulos eleitorais de São Luís, disseram que foram abordados diretamente por compradores de voto que representavam candidatos às vagas da Câmara Municipal, e quase 15% - ou seja, mais de 95 mil votantes - disseram conhecer alguém que efetivamente vendeu o voto para algum candidato a vereador.
SEGUNDO TURNO
Sobre o segundo turno das eleições para prefeito de São Luís, quase 8% dos entrevistados disseram que sofreram abordagem de compra de voto para um dos candidatos, e 13,9% afirmam saber de pelo menos uma pessoa que recebeu dinheiro para definir seu voto no dia 26 de outubro passado. A se confirmar o que a pesquisa captou e levando-se em conta que foram apurados 485.316 votos válidos para os dois candidatos, 67.459 desses sufrágios podem ter sido influenciados pelo dinheiro. A eleição em segundo turno "foi limpa" para menos de 60% dos entrevistados e sofreu o impacto da prática da compra de voto para 34,7% das pessoas ouvidas.
Os entrevistados disseram que sabem de pelo menos 13,9% dos votantes que venderam voto. Isso é mais do que o universo que construiu a diferença entre os votos do que venceu e os do que perdeu. Mas a Escutec não apurou quem se beneficiou da compra de voto na capital. A consulta se preocupou em saber a que distância o eleitor ludovicense se sente dos cabos eleitorais que propõem a compra de voto a dois passos da urna.
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